RN vai perder R$ 94 milhões com cancelamento das festas juninas

25/06/2020

Estimativa é de que a economia de todo o Nordeste perdeu R$ 1 bilhão sem as festejos em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia

Prefeitura de Mossoró / Divulgação
Mossoró recebeu mais de 1 milhão de pessoas na festa de São João do ano passado

As bandeirolas não foram penduradas nas praças que seriam palco do arrasta-pé. A cerveja e o licor que seriam consumidos com voracidade entre um forró e outro ficaram nas prateleiras. E as barracas que venderiam pratos típicos como bolos e canjicas sequer abriram as portas. O cancelamento e adiamento das festas de São João em função da pandemia do novo coronavírus deve resultar em um prejuízo de pelo menos R$ 1 bilhão na economia dos principais estados do Nordeste.

A estimativa refere-se apenas às maiores festas juninas de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia. Mas o impacto é muito maior, já que são realizados arraiás de pequeno porte em quase todas as cidades nordestinas.

As cidades de Caruaru (PE) e de Campina Grande (PB), que realizam as duas festas de São João mais famosas do Brasil, deixaram de movimentar, juntas, R$ 400 milhões durante o período junino.

Em Mossoró, no Oeste potiguar, a festa previa uma movimentação de R$ 94 milhões, impacto frustrado pela pandemia. Em 2019, a festa atraiu mais de 1 milhão de pessoas durante o mês de junho.

Projeções feitas pela prefeitura de Mossoró apontaram que o evento do ano passado contou com gasto médio individual de R$ 102.

Além da festa em si, o ciclo junino impacta toda uma cadeia produtiva, que inclui a produção de pratos típicos, licor artesanal, fogos de artifício, transporte aéreo, rodoviário, hotelaria e até aluguel por temporada de casas.

A safra começa ainda em maio, com a realização de festas privadas, o São João movimenta R$ 200 milhões e gera uma receita de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) em junho que supera o mês de dezembro.

A rede hoteleira da região, que tem ocupação de 100% durante os meses de maio e junho, está praticamente fechada.

O presidente da ABIH-PE (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Pernambuco), Eduardo Cavalcanti, afirma que a rede hoteleira no agreste e sertão do estado está funcionando com taxa de ocupação entre 5% e 10%.

Em Mossoró, por exemplo, o Hotel Thermas anunciou o fim do contrato com todos os funcionários, além do encerramento das atividades devido à crise gerada no setor de turismo por causa da pandemia do novo coronavírus. Este mês, por conta das festas juninas, era esperada a ocupação máxima do local, mas a Covid-19 impediu que atividades culturais acontecessem.

Além dos setores de turismo e entretenimento, segmentos como o de alimentos e bebidas também tendem a ser impactados com o cancelamento da festa.

Patrocinadora das principais festas de São João do Nordeste, a Ambev não revela números sobre queda de vendas no período. Mas afirma que teve que mudar todo o seu planejamento para o São João por causa da pandemia.

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